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Atrás
da curva surge a igreja. Sólida sem ser imponente,
despojada e nobre ao mesmo tempo, tímida e hospitaleira,
parecida com milhões de outras, mas absolutamente individual
e única. Exatamente como as pedras que cobrem as ruas,
muito parecidas com as casas e as vidas que dormem dentro
delas.
A igreja não é, ela está. Está
em cima do morro com suave firmeza, paira sobre as cabeças
de todos ora com carinho protetor, ora com doce desinteresse.
Nas tardes e manhãs de maio ou setembro deixa-se contemplar
iluminada, cônscia de sua plenitude. Nos dias de mais
calor, recolhe-se amuada à sombra das árvores.
Recebeu recém-nascidos, noivos, mortos. Vigia ainda,
sentinela branca e azul do sono de todos.
Trecho
do conto "Coisa de Louco", do livro "Carnaval
sem quarta-feira", de Elias Fajardo

A
igreja durante uma de suas reformas.
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